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OS 22 ARCANOS MAIORES: A JORNADA SIMBÓLICA DO TARÔ RIDER-WAITE-SMITH
Do Louco ao Mundo: arquétipos, numerologia, cores, personagens e os mistérios de um dos mais influentes baralhos da história do Tarô.
Entre os diversos baralhos existentes, poucos alcançaram a importância e a influência do Rider-Waite-Smith Tarot. Publicado em 1909, tornou-se uma das principais referências para o estudo moderno do Tarô, influenciando gerações de estudiosos, artistas, ocultistas e leitores.
O baralho foi concebido por Arthur Edward Waite, escritor e pesquisador do esoterismo, e ilustrado por Pamela Colman Smith, artista responsável por transformar conceitos simbólicos em imagens ricas em detalhes e significados.
Sua importância não está apenas na beleza das ilustrações. O Rider-Waite-Smith apresentou uma maneira diferente de visualizar e interpretar as cartas, especialmente os Arcanos Menores, que passaram a contar histórias por meio de cenas ilustradas.
Neste artigo, vamos explorar os 22 Arcanos Maiores, investigando seus significados, sua numerologia, suas cores, seus personagens e sua relação com a jornada simbólica do Louco.
Também vamos comparar o Rider-Waite-Smith com o tradicional Tarô de Marselha, identificando suas principais diferenças históricas, artísticas e esotéricas.
1. RIDER-WAITE-SMITH E TARÔ DE MARSELHA: DUAS LINGUAGENS SIMBÓLICAS
Antes de estudar as cartas, precisamos compreender que o Rider-Waite-Smith e o Tarô de Marselha pertencem a diferentes momentos da história do Tarô e apresentam linguagens visuais distintas.
O Tarô de Marselha
O Tarô de Marselha é uma tradição de baralhos que se desenvolveu e se consolidou na Europa, especialmente na França, entre os séculos XVII e XVIII.
Suas cartas apresentam desenhos de caráter medieval e renascentista, com personagens estilizados, cores chapadas e uma composição visual relativamente simétrica.
Nos Arcanos Maiores, encontramos personagens e alegorias como O Mago, A Papisa, O Imperador, A Justiça, A Morte e O Mundo.
Entretanto, nos Arcanos Menores numerados, predominam os símbolos dos naipes organizados em padrões ornamentais. Uma carta de cinco espadas, por exemplo, apresenta cinco espadas distribuídas na composição, mas não necessariamente uma cena contando uma história.
O Rider-Waite-Smith
Publicado em 1909, o Rider-Waite-Smith trouxe uma proposta visual diferente.
Pamela Colman Smith ilustrou não apenas os 22 Arcanos Maiores, mas também os 56 Arcanos Menores com cenas figurativas.
Agora, uma carta de cinco espadas não apresenta somente cinco objetos: mostra personagens, expressões, conflitos e uma situação que pode ser interpretada simbolicamente.
Essa mudança foi fundamental para o desenvolvimento do Tarô moderno.
Principais diferenças
| Característica | Marselha | Rider-Waite-Smith |
|---|---|---|
| Origem histórica | Tradição consolidada nos séculos XVII e XVIII | Publicado em 1909 |
| Arcanos Maiores | Imagens alegóricas tradicionais | Cenas com maior detalhamento narrativo |
| Arcanos Menores | Predominantemente padrões de naipes | Cenas ilustradas |
| Simbolismo | Iconografia tradicional europeia | Simbolismo esotérico e ocultista |
| Cores | Planas e contrastantes | Mais variadas e narrativas |
| Interpretação | Forte atenção à estrutura e aos símbolos | Forte apoio nas cenas e nos personagens |
Uma diferença particularmente importante aparece nas cartas VIII e XI.
No Tarô de Marselha, encontramos geralmente:
VIII – A Justiça.
XI – A Força.
No Rider-Waite-Smith, a ordem é invertida:
VIII – A Força.
XI – A Justiça.
Essa alteração está relacionada às correspondências esotéricas da tradição da Golden Dawn, com a qual Waite teve contato.
Outra diferença aparece nos próprios nomes. A carta II, tradicionalmente chamada de A Papisa no Marselha, recebe o nome de The High Priestess (A Sacerdotisa) no Rider-Waite-Smith.
O Papa torna-se The Hierophant (O Hierofante), enquanto O Enforcado recebe o nome de The Hanged Man.
Não se trata simplesmente de mudanças de nomenclatura. Elas refletem diferentes escolhas simbólicas e interpretativas.
2. OS 22 ARCANOS MAIORES E SEUS SIGNIFICADOS
Os Arcanos Maiores representam grandes temas da existência humana. No Rider-Waite-Smith, cada carta apresenta uma cena que pode ser analisada por seus personagens, objetos, cores, gestos e elementos da paisagem.
Vamos percorrer essa sequência.
0 – O LOUCO (THE FOOL)
O Louco é o ponto de partida da jornada.
Na ilustração de Pamela Colman Smith, encontramos um jovem caminhando próximo à beira de um precipício, carregando uma pequena trouxa e acompanhado por um cão branco.
Ele olha para cima, aparentemente despreocupado com o perigo diante de seus pés.
Principais símbolos:
O precipício: o desconhecido e os riscos da jornada.
O cão: instinto, proteção ou advertência.
A trouxa: experiências e recursos que o viajante carrega.
A rosa branca: inocência e pureza de intenção.
O sol: vitalidade e possibilidade de um novo começo.
Significado: liberdade, espontaneidade, aventura, inocência, potencial e novos caminhos.
No Marselha, O Louco costuma ser representado como um viajante acompanhado por um animal que se aproxima de seu corpo ou de suas roupas. No Rider-Waite-Smith, a cena ganha uma dimensão mais dramática: o personagem está literalmente diante de um precipício.
I – O MAGO (THE MAGICIAN)
O Mago representa a capacidade de transformar possibilidades em realizações.
Diante dele existe uma mesa com os quatro símbolos dos naipes: bastão, taça, espada e pentáculo.
Uma das mãos aponta para o céu e a outra para a terra, representando a relação entre os planos espiritual e material.
Sobre sua cabeça aparece o símbolo do infinito.
Principais símbolos:
O infinito: potencial ilimitado.
A mão voltada para o céu e a terra: conexão entre os planos.
Os quatro instrumentos: os elementos e os recursos disponíveis.
As flores: manifestação e desenvolvimento da vida.
Significado: habilidade, iniciativa, concentração, criatividade, manifestação e domínio dos recursos.
No Marselha, o personagem também aparece diante de uma mesa com instrumentos, mas a ilustração do Rider-Waite-Smith reforça a dimensão esotérica da carta por meio do infinito e do gesto ritualístico.
II – A SACERDOTISA (THE HIGH PRIESTESS)
A Sacerdotisa representa o conhecimento oculto, a intuição e os mistérios que permanecem escondidos.
Ela está sentada entre duas colunas, identificadas pelas letras B e J, referências às colunas Boaz e Jachin associadas ao simbolismo do Templo de Salomão.
Atrás dela existe um véu decorado com romãs.
Em seu colo está um pergaminho com a inscrição TORA.
Principais símbolos:
As colunas B e J: polaridade e dualidade. (Origem bíblica - Segundo os livros de 1 Reis 7:21 e 2 Crônicas 3:17, duas colunas de bronze foram erguidas na entrada do Templo de Salomão, em Jerusalém. Seus nomes eram:
- Boaz: geralmente interpretado como “nele está a força”.
- Jachin: geralmente interpretado como “ele estabelece” ou “ele firmará”.
As colunas não eram simples elementos arquitetônicos: receberam nomes próprios e passaram a integrar o imaginário religioso e simbólico judaico.
O véu: o conhecimento reservado.
As romãs: fertilidade, mistério e conhecimento.
A Lua: intuição e dimensões inconscientes.
O pergaminho: sabedoria e tradição.
Significado: intuição, silêncio, mistério, sabedoria interior e conhecimento oculto.
No Marselha, encontramos A Papisa segurando um livro. No Rider-Waite-Smith, a composição recebe uma dimensão esotérica mais explícita, com as colunas, o véu e a simbologia lunar.
III – A IMPERATRIZ (THE EMPRESS)
A Imperatriz representa a fertilidade, a natureza, a abundância e a criação.
Ela aparece sentada em um trono, cercada por vegetação, com um campo de trigo diante de si.
Seu escudo apresenta o símbolo de Vênus.
Principais símbolos:
O trigo: fertilidade e abundância.
O escudo de Vênus: amor, beleza e feminilidade.
A floresta: natureza e crescimento.
A coroa de estrelas: dimensão celeste e espiritual.
O rio: fluxo da vida.
Significado: criação, prosperidade, fertilidade, beleza, maternidade e conexão com a natureza.
IV – O IMPERADOR (THE EMPEROR)
O Imperador representa autoridade, estabilidade, organização e poder.
Sentado em um trono de pedra, ele segura um cetro e um símbolo semelhante a um orbe, demonstrando seu domínio sobre o mundo material.
As montanhas ao fundo reforçam sua firmeza.
Principais símbolos:
O trono: autoridade e estabilidade.
O cetro: poder e comando.
A armadura: proteção e disciplina.
As montanhas: resistência e permanência.
Os carneiros: associação com Áries e sua energia.
Significado: liderança, estrutura, disciplina, responsabilidade e autoridade.
V – O HIEROFANTE (THE HIEROPHANT)
O Hierofante representa a tradição, os ensinamentos religiosos e a transmissão do conhecimento espiritual.
Ele aparece sentado entre duas colunas, usando vestes cerimoniais e uma coroa religiosa.
Diante dele, dois personagens recebem sua orientação.
Principais símbolos:
A coroa: autoridade espiritual.
As duas colunas: estrutura institucional.
As chaves cruzadas: acesso aos mistérios.
Os dois discípulos: transmissão do conhecimento.
O gesto de bênção: ensinamento e iniciação.
Significado: tradição, religião, educação, instituições e orientação espiritual.
No Marselha, essa carta é chamada de O Papa. No Rider-Waite-Smith, o nome Hierofante enfatiza a função de revelar ou transmitir ensinamentos sagrados.
VI – OS ENAMORADOS (THE LOVERS)
Os Enamorados representam escolhas, relacionamentos, união e valores pessoais.
Na ilustração do Rider-Waite-Smith, encontramos um homem e uma mulher diante de um anjo, com uma montanha e duas árvores ao fundo.
A composição faz referências visuais ao relato bíblico de Adão e Eva.
Principais símbolos:
O anjo: orientação espiritual.
O homem e a mulher: união e polaridade.
A árvore da mulher: conhecimento e tentação.
A árvore do homem: vitalidade e desejo.
A montanha: desafio e desenvolvimento.
Significado: amor, escolhas, união, responsabilidade afetiva e alinhamento de valores.
Uma diferença importante: no Marselha, a carta apresenta uma cena com três personagens humanos, frequentemente interpretada como uma escolha amorosa. No Rider-Waite-Smith, a narrativa bíblica e a presença do anjo ampliam a dimensão espiritual da carta.
VII – O CARRO (THE CHARIOT)
O Carro representa conquista, determinação e domínio das forças opostas.
Um guerreiro aparece em uma carruagem conduzida por duas esfinges, uma preta e outra branca.
Elas representam forças diferentes que precisam ser conduzidas na mesma direção.
Principais símbolos:
A carruagem: movimento e conquista.
As esfinges: dualidade e forças opostas.
A armadura: proteção e disciplina.
A estrela: orientação.
A cidade ao fundo: o mundo social e material.
Significado: vitória, determinação, controle, ambição e superação.
VIII – A FORÇA (STRENGTH)
A Força apresenta uma mulher dominando delicadamente um leão.
Diferentemente de uma demonstração de violência, a cena sugere que a verdadeira força está relacionada ao autocontrole e à integração dos instintos.
Principais símbolos:
O leão: instinto, paixão e energia.
A mulher: consciência e domínio interior.
O infinito: força espiritual.
As flores: harmonia e delicadeza.
Significado: coragem, paciência, autocontrole, equilíbrio e domínio dos impulsos.
No Marselha, a carta XI apresenta uma mulher abrindo a boca de um leão. No Rider-Waite-Smith, a imagem recebe uma interpretação mais contemplativa e espiritualizada.
IX – O EREMITA (THE HERMIT)
O Eremita representa a busca pela sabedoria.
Um homem idoso caminha sozinho em uma paisagem montanhosa, segurando uma lanterna que ilumina seu caminho.
Principais símbolos:
A lanterna: conhecimento e iluminação.
A estrela de seis pontas: luz da sabedoria.
O cajado: experiência e apoio.
A montanha: busca espiritual e superação.
A solidão: introspecção.
Significado: reflexão, prudência, sabedoria, isolamento e autoconhecimento.
X – A RODA DA FORTUNA (WHEEL OF FORTUNE)
A Roda da Fortuna representa os ciclos, as mudanças e a instabilidade da existência.
No centro da imagem aparece uma grande roda com figuras e inscrições.
Nos quatro cantos estão seres alados associados aos símbolos dos quatro evangelistas.
Principais símbolos:
A roda: ciclos e mudanças.
A esfinge: mistério e equilíbrio.
As figuras ascendentes e descendentes: alternância das circunstâncias.
Os quatro seres alados: os evangelistas e os elementos simbólicos.
As letras: referências esotéricas presentes na composição.
Significado: destino, oportunidades, mudanças, ciclos e acontecimentos inesperados.
XI – A JUSTIÇA (JUSTICE)
A Justiça representa equilíbrio, responsabilidade e consequências.
Uma mulher sentada entre duas colunas segura uma espada em uma das mãos e uma balança na outra.
Principais símbolos:
A espada: discernimento e decisão.
A balança: equilíbrio e avaliação.
As colunas: estabilidade e estrutura.
A coroa: autoridade e responsabilidade.
O véu: imparcialidade e separação entre aparência e verdade.
Significado: justiça, verdade, responsabilidade, equilíbrio e consequências.
XII – O ENFORCADO (THE HANGED MAN)
O Enforcado apresenta um homem suspenso de cabeça para baixo por uma das pernas.
Apesar da posição incomum, seu rosto transmite serenidade.
Um halo luminoso aparece ao redor de sua cabeça.
Principais símbolos:
A posição invertida: mudança de perspectiva.
A árvore: ligação com a vida e a natureza.
O halo: iluminação.
A perna cruzada: suspensão e contemplação.
Significado: pausa, sacrifício, renúncia, contemplação e transformação da perspectiva.
XIII – A MORTE (DEATH)
A Morte é uma das cartas mais conhecidas e frequentemente mal interpretadas do Tarô.
No Rider-Waite-Smith, um esqueleto montado em um cavalo branco atravessa uma paisagem onde diferentes personagens reagem à sua presença.
Uma figura religiosa aparece diante dele, enquanto outras pessoas demonstram medo, submissão ou aceitação.
Principais símbolos:
O esqueleto: a inevitabilidade da transformação.
O cavalo branco: movimento e passagem.
A bandeira negra: encerramento e mistério.
O sol entre as torres: renovação e continuidade.
Os personagens: diferentes reações diante da mudança.
Significado: transformação, encerramento de ciclos, desapego e renovação.
XIV – A TEMPERANÇA (TEMPERANCE)
A Temperança representa equilíbrio, integração e moderação.
Um anjo mistura líquidos entre duas taças, enquanto permanece com um pé na água e outro na terra.
Principais símbolos:
As duas taças: integração e troca.
A água: fluidez e transformação.
O pé na água e o pé na terra: equilíbrio entre diferentes planos.
O caminho: desenvolvimento.
O sol: iluminação.
Significado: harmonia, paciência, moderação, adaptação e integração.
XV – O DIABO (THE DEVIL)
O Diabo representa os desejos, os apegos, a materialidade e as forças que podem aprisionar o indivíduo.
Na imagem, uma figura demoníaca domina duas pessoas acorrentadas.
Principais símbolos:
O Diabo: desejos e condicionamentos.
As correntes: dependência e aprisionamento.
Os personagens: submissão aos próprios impulsos.
A tocha: energia e desejo.
O pentagrama invertido: simbolismo ocultista associado à imagem.
Significado: tentação, apego, materialismo, dependência e confrontação com a própria sombra.
XVI – A TORRE (THE TOWER)
A Torre representa a destruição de estruturas frágeis e a revelação de verdades inesperadas.
Um raio atinge uma construção, fazendo com que personagens caiam de suas alturas.
Principais símbolos:
A torre: estruturas e crenças.
O raio: ruptura e revelação.
A coroa: poder e orgulho.
As pessoas caindo: perda de controle.
As chamas: destruição e transformação.
Significado: ruptura, crise, revelação, queda de ilusões e reconstrução.
XVII – A ESTRELA (THE STAR)
A Estrela representa esperança, inspiração e renovação.
Uma mulher aparece ajoelhada junto a um lago, derramando água na terra e na superfície aquática.
Acima dela, uma grande estrela de oito pontas é acompanhada por sete estrelas menores.
Principais símbolos:
A estrela central: orientação e esperança.
As sete estrelas: associações tradicionais com os sete planetas clássicos.
A água: purificação e renovação.
A terra: fertilidade e manifestação.
O pássaro: dimensão espiritual e liberdade.
Significado: esperança, inspiração, serenidade, cura simbólica e renovação.
XVIII – A LUA (THE MOON)
A Lua representa o inconsciente, os medos, as ilusões e os mistérios.
Um caminho atravessa uma paisagem entre duas torres. Um cão e um lobo observam a Lua, enquanto um crustáceo emerge da água.
Principais símbolos:
A Lua: mistério e inconsciente.
O cão e o lobo: instinto domesticado e selvagem.
O crustáceo: conteúdos que emergem das profundezas.
As torres: passagem e limites.
O caminho: travessia pelo desconhecido.
Significado: intuição, sonhos, incerteza, medo, imaginação e inconsciente.
XIX – O SOL (THE SUN)
O Sol representa vitalidade, clareza, alegria e realização.
Uma criança aparece montada em um cavalo branco, diante de um grande sol com rosto humano.
Principais símbolos:
O sol: consciência e iluminação.
A criança: inocência e renovação.
O cavalo branco: vitalidade e liberdade.
Os girassóis: crescimento e abundância.
A bandeira vermelha: energia e celebração.
Significado: felicidade, clareza, sucesso, vitalidade e realização.
XX – O JULGAMENTO (JUDGEMENT)
O Julgamento apresenta um anjo tocando uma trombeta enquanto pessoas ressurgem de seus túmulos.
A cena remete diretamente ao imaginário cristão da ressurreição.
Principais símbolos:
A trombeta: chamado e despertar.
O anjo: anúncio espiritual.
Os túmulos: encerramento e renascimento.
As pessoas ressurgindo: renovação e consciência.
A água: dimensão da transformação.
Significado: despertar, renovação, avaliação, chamado e renascimento.
XXI – O MUNDO (THE WORLD)
O Mundo representa a conclusão da jornada.
Uma figura dançante aparece no centro de uma coroa oval, segurando duas pequenas hastes.
Nos quatro cantos estão representados um homem, uma águia, um leão e um touro.
Principais símbolos:
A figura central: integração e realização.
A coroa oval: totalidade e ciclo completo.
As duas hastes: equilíbrio e movimento.
Os quatro seres: os quatro evangelistas, os elementos e os signos fixos do zodíaco em diferentes tradições.
A dança: harmonia e plenitude.
Significado: conclusão, realização, integração, plenitude e encerramento de um ciclo.
3. A NUMEROLOGIA DOS 22 ARCANOS MAIORES
A numerologia é uma das ferramentas utilizadas para aprofundar o estudo dos Arcanos Maiores.
Cada número pode ser associado a princípios filosóficos e esotéricos. No Rider-Waite-Smith, a sequência numérica também permite observar a progressão simbólica da jornada.
Algumas correspondências importantes:
0 – Potencial: o desconhecido e as possibilidades.
1 – Unidade: iniciativa e manifestação.
2 – Dualidade: polaridade e equilíbrio.
3 – Criação: fertilidade e expressão.
4 – Estrutura: ordem e estabilidade.
5 – Ensinamento: tradição e conhecimento.
6 – Escolha: união e responsabilidade.
7 – Movimento: conquista e determinação.
8 – Equilíbrio: força interior.
9 – Sabedoria: introspecção e conhecimento.
10 – Ciclo: mudança e renovação.
11 – Justiça: discernimento e responsabilidade.
12 – Suspensão: mudança de perspectiva.
13 – Transformação: encerramento e renascimento.
14 – Integração: equilíbrio e moderação.
15 – Materialidade: desejos e condicionamentos.
16 – Ruptura: desconstrução e revelação.
17 – Esperança: inspiração e renovação.
18 – Inconsciente: mistério e imaginação.
19 – Iluminação: clareza e vitalidade.
20 – Despertar: consciência e renascimento.
21 – Totalidade: realização e conclusão.
É importante observar que essas associações são interpretativas, não uma tabela numerológica universal. Diferentes escolas podem atribuir sentidos distintos aos números.
4. O SIMBOLISMO DAS CORES NO RIDER-WAITE-SMITH
Uma das grandes riquezas das ilustrações de Pamela Colman Smith está no emprego das cores.
Diferentemente de muitas edições do Marselha, que apresentam paletas mais limitadas e cores aplicadas em áreas chapadas, o Rider-Waite-Smith utiliza combinações cromáticas que ajudam a construir atmosferas e destacar elementos das cenas.
Algumas associações recorrentes:
Amarelo e dourado: iluminação, inteligência, consciência e vitalidade.
Azul: espiritualidade, profundidade, contemplação e conhecimento.
Vermelho: energia, paixão, ação e força vital.
Branco: pureza, clareza e potencial espiritual.
Preto: mistério, desconhecido, encerramento e transformação.
Verde: crescimento, fertilidade, natureza e renovação.
Cinza: neutralidade, transição e ambiguidade.
Essas correspondências devem ser analisadas em conjunto com a composição de cada carta. Uma cor não possui necessariamente o mesmo significado em todas as imagens.
5. A JORNADA DO LOUCO: DO DESCONHECIDO À REALIZAÇÃO
A Jornada do Louco é uma das interpretações mais conhecidas dos Arcanos Maiores.
Ela apresenta as 22 cartas como uma sequência simbólica de experiências e transformações.
O percurso pode ser organizado em etapas:
Primeira etapa – Descoberta do mundo
Do Louco ao Carro, encontramos o início da experiência, o aprendizado, a formação da identidade, a relação com a autoridade, as escolhas e a conquista da autonomia.
Segunda etapa – Conhecimento interior
Da Força à Temperança, o viajante enfrenta desafios internos, aprende a observar a própria consciência, questiona suas certezas e desenvolve equilíbrio.
Terceira etapa – Confronto com a sombra
Do Diabo à Lua, aparecem os apegos, as ilusões, as rupturas, as esperanças e os medos que fazem parte da experiência humana.
Quarta etapa – Despertar e integração
Do Sol ao Mundo, encontramos a clareza, o renascimento, a consciência e a realização.
A jornada pode ser interpretada como um processo de desenvolvimento psicológico e espiritual. É uma leitura simbólica, não uma estrutura histórica comprovadamente concebida pelos criadores originais do baralho.
6. RIDER-WAITE-SMITH, CABALA, ASTROLOGIA E OCULTISMO
O Rider-Waite-Smith também merece atenção por suas relações com o ocultismo ocidental.
Arthur Edward Waite esteve ligado à tradição da Ordem Hermética da Golden Dawn, sociedade esotérica que teve grande influência sobre o desenvolvimento de sistemas modernos de correspondência entre Tarô, astrologia, Cabala e magia cerimonial.
Essa influência pode ser observada em diferentes aspectos do baralho:
Correspondências astrológicas entre cartas e planetas.
Relações entre os Arcanos Maiores e os signos do zodíaco.
Associação dos Arcanos Maiores às letras do alfabeto hebraico.
Relações com os caminhos da Árvore da Vida da Cabala hermética.
Simbolismo alquímico e elementos tradicionais.
É importante distinguir a Cabala judaica histórica da Cabala hermética ocidental. Embora existam relações e apropriações entre essas tradições, elas não são sistemas idênticos.
O Rider-Waite-Smith tornou-se uma das principais referências visuais para esse tipo de investigação esotérica.
CONCLUSÃO: UMA JORNADA QUE VAI ALÉM DAS CARTAS
Os 22 Arcanos Maiores do Rider-Waite-Smith constituem um universo de símbolos que pode ser explorado por diferentes perspectivas.
Suas imagens permitem investigar temas como liberdade, conhecimento, poder, desejo, transformação, inconsciente e realização.
A comparação com o Tarô de Marselha também demonstra que o Tarô não é um sistema visual imutável. Ao longo de sua história, diferentes artistas e estudiosos reinterpretaram suas imagens, acrescentando novas camadas de significado.
O Marselha preserva uma linguagem iconográfica tradicional, enquanto o Rider-Waite-Smith desenvolve uma narrativa visual especialmente rica, que facilita a observação das relações entre personagens, objetos e acontecimentos.
Conhecer essas diferenças é fundamental para quem deseja estudar o Tarô de maneira mais aprofundada.
Mas ainda falta conhecer metade desse universo.
PRÓXIMO CAPÍTULO: OS 56 ARCANOS MENORES
Se os 22 Arcanos Maiores apresentam grandes arquétipos e temas universais, os 56 Arcanos Menores exploram situações, conflitos, sentimentos, pensamentos e acontecimentos da experiência cotidiana.
No próximo capítulo, vamos estudar:
Os quatro naipes: Paus, Copas, Espadas e Ouros.
Os quatro elementos: Fogo, Água, Ar e Terra.
As 40 cartas numeradas: do Ás ao Dez.
As 16 cartas da corte: Pajens, Cavaleiros, Rainhas e Reis.
A numerologia: o significado dos números em cada naipe.
O simbolismo das cenas: como Pamela Colman Smith transformou cartas numeradas em narrativas visuais.
A comparação com o Marselha: como os mesmos naipes podem apresentar linguagens interpretativas diferentes.
A jornada continua. Depois de conhecer os grandes arquétipos, chegou a hora de investigar as forças que movimentam o cotidiano.
WB84 — Conhecimento, simbolismo e cultura além do óbvio..
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