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Os álbuns Severed Survival (1989) e Mental Funeral (1991) tornaram-se pilares do death metal e também influenciaram o desenvolvimento do death/doom. A estética da banda sempre esteve centrada na decomposição, doença, putrefação e morte física — não como metáfora espiritual elevada, mas como experiência brutalmente material.

🔥 Análise Filosófica e Literária de “Restos Carbonizados / Charred Remains” (Autopsy)
A abertura apresenta uma inversão simbólica fundamental:
“Burning from the inside out / Bloody foam spews from your mouth”
"Queimando de dentro para fora / Espuma sangrenta jorra da sua boca"
o fogo não vem de fora, mas de dentro. Isso pode ser lido filosoficamente como metáfora da autodestruição interna — doença, colapso biológico, corrupção interna da matéria. O horror não é externo; é inerente ao próprio corpo.
A letra insiste na degradação progressiva:
“Flesh drip from your face”
“Eyeballs melt into their sockets”
“Blood boils over, warping veins”
Aqui temos uma estética do grotesco extremo, próxima do que Mikhail Bakhtin chamou de “realismo grotesco”: o corpo é mostrado aberto, dissolvido, fluido. Não há integridade corporal. O corpo humano deixa de ser forma estável e torna-se matéria instável, líquida, em transformação.
🧠 Filosofia da Materialidade Radical
O verso final —
“Until nothing is left but charred remains”
é quase uma tese ontológica: o destino final da vida é a redução a resíduo carbonizado.
Não há transcendência. Não há alma. Não há redenção.
A música assume uma posição que podemos chamar de materialismo extremo. O ser humano é carne, sangue, ossos e fluidos. E quando a vida termina, resta apenas carbono. Essa perspectiva confronta diretamente tradições religiosas que prometem continuidade após a morte.
🔥 Fogo como Agente Filosófico
O fogo na letra funciona como força purificadora invertida. Em muitas tradições, o fogo simboliza purificação espiritual. Aqui, ele é pura destruição biológica.
O processo descrito é quase científico:
carne derrete
sangue ferve
ossos colapsam
cérebro derrete
É a entropia em ação. A música pode ser lida como uma dramatização da segunda lei da termodinâmica aplicada ao corpo humano: tudo tende à degradação.
🎭 Dimensão Existencial
O trecho:
“Twisting and writhing as life burns away”
“Contorcendo-se e debatendo-se enquanto a vida se consome”
introduz sofrimento consciente. O horror não é apenas físico — é experienciado. O sujeito percebe sua própria dissolução. Isso cria uma dimensão existencial: o ser humano é forçado a assistir à própria aniquilação.
Esse tipo de representação ecoa um existencialismo sombrio, onde a consciência não traz salvação, apenas intensifica o horror da finitude.
📚 Conclusão Crítica
A “Charred Remains” do Autopsy não é apenas gore gratuito. É uma estética que leva o materialismo ao limite. O corpo é desmontado verso por verso até virar resíduo.
Se outras tradições artísticas buscam sublimar a morte, o Autopsy faz o oposto: desublima. Remove qualquer romantização.
É desconfortável — e exatamente por isso é filosoficamente potente.
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LETRA COMPLETA
Canção: Charred Remains
Álbum: Severed Survival (1989)
Buring from the inside out
Bloody foam spews from your mouth
Smell the putrid stench of flesh
As it burns you to your death
Feel the flesh drip from your face
Turing black, vision fades
Eyeballs melt into their sockets
Involuntarily set ablaze
Gutwrenching screams fill the air
The rancid smell of burning hair
Screaming in excruciating pain
Blood boils over, warping veins
Burnt skull collapses onto melting brains
Spontaneous death, up in flames
Twisting and writhing as life burns away
Until nothing is left but charred remains
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