quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

ALCEST

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Alcest é uma banda francesa fundada em 2000 por Stéphane “Neige” Paut, inicialmente como um projeto solo. Originária de Bagnols-sur-Cèze, no sul da França, a banda começou com raízes no black metal tradicional, mas rapidamente evoluiu para um som atmosférico que viria a ser conhecido como blackgaze — fusão entre black metal e shoegaze. Neige, figura central e principal compositor, é responsável pela identidade sonora e lírica do grupo. Ao longo dos anos, Alcest consolidou-se como um dos nomes mais respeitados do metal atmosférico contemporâneo, não pela agressividade, mas pela construção de paisagens sonoras etéreas, melancólicas e transcendentes.

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O simbolismo da banda gira em torno da ideia de um “outro mundo” espiritual, frequentemente descrito por Neige como uma realidade paralela luminosa, acessada por meio da memória e da imaginação. Diferentemente do black metal tradicional, cuja estética tende ao niilismo ou ao satanismo explícito, Alcest propõe uma espiritualidade contemplativa, quase mística, marcada por nostalgia, pureza e transcendência. A filosofia implícita nas letras dialoga com conceitos de escapismo metafísico, sonho lúcido e reminiscência platônica — como se a arte fosse um meio de reencontro com uma origem espiritual esquecida. O ocultismo, quando aparece, não se manifesta em rituais sombrios, mas em uma dimensão esotérica simbólica: a busca por estados alterados de consciência, a dissolução do ego e a comunhão com o absoluto.

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Entre os álbuns principais, destaca-se Souvenirs d’un Autre Monde (2007), obra que consolidou a estética do blackgaze com atmosferas delicadas e vocais etéreos; Écailles de Lune (2010), que introduz maior intensidade emocional e contraste entre peso e suavidade; Les Voyages de l’Âme (2012), frequentemente considerado o ápice espiritual do projeto; e Kodama (2016), inspirado parcialmente na estética japonesa e na ideia de espíritos da natureza. Trabalhos posteriores, como Spiritual Instinct (2019), mostram uma abordagem mais direta e emocional, mas ainda profundamente introspectiva. Em termos de possíveis ligações com o ocultismo, pode-se identificar aproximações com o simbolismo hermético e com uma visão neoplatônica da realidade — onde o mundo sensível é apenas uma sombra de uma dimensão superior luminosa. Alcest, portanto, constrói não apenas música, mas uma cosmologia estética: um convite à contemplação do invisível através do som.



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