quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

JUJUTSU KAISEN

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A primeira temporada de Jujutsu Kaisen constrói seu universo a partir de uma ideia central poderosa: o sofrimento humano como matéria-prima do mal. As maldições nascem do medo, do ódio, da culpa e da frustração acumulados socialmente — uma metáfora direta para o inconsciente coletivo. Simbolicamente, o anime sugere que aquilo que é reprimido retorna de forma monstruosa. O ocultismo aparece na forma de rituais, talismãs, votos, selos e linhagens de feiticeiros, enquanto o esoterismo se manifesta na noção de energia amaldiçoada como uma força psíquica que responde à intenção e ao estado emocional. Nada é gratuito: quanto mais intensa a emoção negativa, mais densa e perigosa é a maldição.

Do ponto de vista psicológico e psicanalítico, a série dialoga fortemente com conceitos freudianos e junguianos. As maldições funcionam como sombras (Jung), projeções do que a sociedade não consegue integrar. Yuji Itadori encarna o conflito entre o princípio da vida (Eros) e o da morte (Thanatos), pois carrega Sukuna dentro de si como um “id” brutal, instintivo e destrutivo. Já os feiticeiros atuam como uma espécie de ego disciplinador, tentando controlar forças internas e externas que jamais podem ser eliminadas por completo, apenas administradas. A recorrente ideia de que “não existe morte limpa” reforça uma filosofia trágica: viver é assumir responsabilidade pelo sofrimento inevitável.

A lógica dos feitiços segue uma coerência quase filosófica: restrição gera poder. Quanto maior o risco, o sacrifício ou a limitação autoimposta, mais forte é a técnica — um princípio que ecoa tanto práticas ocultistas reais quanto noções existencialistas. Domínios Expandidos, por exemplo, simbolizam a materialização do mundo interno do personagem: um espaço onde sua visão de realidade se impõe de forma absoluta. Isso revela muito sobre a psique de cada um. Gojo, com seu domínio infinito, expressa uma mente que opera além das limitações humanas; Mahito, ao manipular almas, revela uma visão niilista onde identidade e moral são maleáveis e descartáveis.

Filosoficamente, a temporada questiona o valor da vida humana em um mundo onde o mal é estrutural. A pergunta não é “como vencer o mal?”, mas “como agir corretamente sabendo que o mal sempre retorna?”. Os personagens tomam decisões guiadas por valores pessoais, não por promessas de salvação coletiva. Essa ética trágica aproxima Jujutsu Kaisen de correntes como o existencialismo e o pessimismo filosófico: o sentido não está no final, mas no ato consciente de escolher, mesmo sabendo que a perda é certa.


Personagens principais – poderes e perfis psicológicos

🧿 Heróis / Feiticeiros

  • Yuji Itadori
    Poder: Força física absurda, receptáculo de Sukuna, uso básico de energia amaldiçoada
    Personalidade: Empático, altruísta, movido pela culpa e pelo desejo de dar “uma morte digna” aos outros
    Leitura psicanalítica: Ego tentando conter um id monstruoso

  • Megumi Fushiguro
    Poder: Técnica das Dez Sombras (invocação de shikigamis)
    Personalidade: Introvertido, moral seletiva, pragmático
    Leitura simbólica: Conflito entre justiça ideal e realidade cruel

  • Nobara Kugisaki
    Poder: Técnica do boneco de palha (ressonância, pregos e maldição à distância)
    Personalidade: Orgulhosa, afirmativa, identidade forte
    Leitura simbólica: Afirmação do eu contra a dor e o apagamento social

  • Satoru Gojo
    Poder: Seis Olhos + Ilimitado (controle absoluto do espaço)
    Personalidade: Arrogante, irônico, estrategista
    Leitura filosófica: O “deus” que entende o sistema, mas ainda escolhe agir dentro dele


🩸 Vilões / Maldições


  • Ryomen Sukuna
    Poder: Energia amaldiçoada suprema, técnicas de corte, domínio devastador
    Personalidade: Sádico, narcisista, amoral
    Leitura psicanalítica: Id puro, desejo sem repressão

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  • Mahito
    Poder: Manipulação da alma, transfiguração humana
    Personalidade: Infantil, cruel, curioso
    Leitura filosófica: Niilismo radical — a vida não possui valor intrínseco

  • Jogo
    Poder: Manipulação de fogo vulcânico
    Personalidade: Orgulhoso, ressentido
    Leitura simbólica: Raiva coletiva da humanidade contra si mesma


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