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PAGAN ALTAR: A MAGIA OCULTA NO DOOM METAL TRADICIONAL
O Pagan Altar é uma banda britânica de doom metal tradicional, formada no final dos anos 70 por Terry Jones (vocal) e seu filho Alan Jones (guitarra). Diferente das bandas contemporâneas da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM), o Pagan Altar trilhou um caminho único, mergulhando em uma sonoridade mística, obscura e atmosférica, profundamente inspirada pelo Black Sabbath, Witchfinder General e pelo rock psicodélico dos anos 70.
A estética da banda sempre esteve enraizada no ocultismo, mitologia celta e folclore britânico, temas que permeiam suas letras e sua identidade visual. Suas músicas evocam imagens de rituais pagãos, histórias sombrias de magia e críticas à hipocrisia religiosa. A voz marcante e teatral de Terry Jones adicionava um elemento etéreo às composições, enquanto as guitarras de Alan Jones combinavam riffs melancólicos e solos emocionais, transportando o ouvinte para um ambiente quase ritualístico.
Junto com o Witchfinder General, o Pagan Altar é uma das poucas bandas da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) a tocar doom metal. Seus concertos são caracterizados por uma música sombria, épica e pesada, combinada com efeitos de palco que enfatizam seu interesse por temas ocultistas.
O único lançamento da banda durante a era da NWOBHM foi um álbum demo autointitulado, lançado de forma independente. Esse trabalho foi amplamente pirateado ao longo dos anos e, em 1998, foi relançado oficialmente como um álbum completo pela Oracle Records, com o título Volume 1.
O Pagan Altar se reuniu novamente em 2004 para regravar um álbum com material inédito que havia sido composto durante sua fase original. O resultado foi o disco Lords of Hypocrisy, que foi muito bem recebido pelos fãs. Em 2006, lançaram um terceiro álbum completo, intitulado Mythical and Magical.
Em 2008, o Pagan Altar foi uma das atrações principais do festival Metal Brew, em Mill Hill, ao lado do Cloven Hoof. Ambas as bandas também se apresentaram no festival British Steel IV, no Camden Underworld, em 2009. Em abril de 2011, o Pagan Altar retornou como atração principal do festival British Steel V e, em outubro do mesmo ano, participou do festival Live Evil.
Em 2012, a banda começou a trabalhar em seu próximo álbum, Never Quite Dead, em um estúdio de gravação construído especialmente no quintal da casa do vocalista Terry Jones. Em 2013, a formação da banda incluía Dean Alexander na bateria, Vinny Konrad (Vince Hempstead) na segunda guitarra e William Gallagher no baixo.
No dia 15 de maio de 2015, o vocalista Terry Jones faleceu devido a um câncer. Na época, a banda já havia concluído as gravações do novo álbum, que estava na fase final de masterização. Em 2017, Alan Jones anunciou que pretendia regravar parcialmente o disco, pois nem ele nem Terry Jones estavam satisfeitos com o resultado final.
O lançamento mais recente do Pagan Altar é uma compilação de ensaios antigos, intitulada The Story of Pagan Altar, lançada em 2021 (disponível no Bandcamp).
Álbuns
1. Judgement of the Dead (1984)
O primeiro lançamento oficial do Pagan Altar, também conhecido como Pagan Altar, foi gravado originalmente em 1982, mas lançado apenas em 1984. Esse disco estabelece a identidade sonora e lírica da banda, apresentando um doom metal ritualístico, sombrio e carregado de misticismo.
- "Judgement of the Dead" – Um épico que descreve um julgamento espiritual de almas condenadas.
- "The Black Mass" – Um hino ocultista, com passagens que evocam imagens de rituais e sociedades secretas.
- "Night Rider" – Uma faixa mais enérgica, aproximando-se do NWOBHM, mas sem perder a aura mística.
O álbum passou despercebido na época, mas tornou-se uma peça fundamental para o doom metal underground.
2. Lords of Hypocrisy (2004)
Resgatando composições antigas da década de 1980, este álbum foi lançado com uma produção mais refinada. Aqui, a banda aprofunda suas críticas à corrupção religiosa e ao fanatismo.
- "The Lords of Hypocrisy" – Um ataque direto à hipocrisia da igreja e ao abuso de poder.
- "The Aftermath" – Uma narrativa sobre a destruição iminente da humanidade, com um tom épico e apocalíptico.
O álbum consolidou o Pagan Altar como um dos principais nomes do doom metal tradicional.
3. Time of the Lord (2004)
Este EP reúne faixas inéditas, apresentando um som clássico e direto.
- "Time of the Dark" – Uma peça sombria e introspectiva sobre eras de trevas e caos espiritual.
- "The Witches Pathway" – Uma das músicas mais atmosféricas da banda, remetendo a antigos contos de feitiçaria.
4. Mythical & Magical (2006)
Aqui, o Pagan Altar atinge seu ápice, aprofundando-se na mitologia e no esoterismo britânico. O álbum equilibra peso e melodia, criando uma experiência mística.
- "Samhein" – Um tributo ao festival pagão que inspirou o Halloween.
- "The Sorcerer" – A jornada de um mago em busca do poder absoluto.
- "The Crowman" – Mistura doom e folk, evocando figuras mitológicas da tradição celta.
Este é frequentemente considerado o melhor álbum da banda, por sua coesão temática e sonoridade épica.
5. The Room of Shadows (2017)
Lançado após a morte de Terry Jones em 2015, este álbum representa sua última contribuição vocal. Com uma sonoridade melancólica e reflexiva, o disco fecha um ciclo para a banda.
- "The Room of Shadows" – Uma faixa sombria sobre segredos antigos e a influência de forças ocultas.
- "Danse Macabre" – Inspirada na Dança da Morte, tema medieval sobre a inevitabilidade do destino humano.
- "Portrait of Dorian Gray" – Baseada no livro de Oscar Wilde, explorando o preço da imortalidade.
Este álbum encapsula a essência do Pagan Altar, sendo um encerramento digno para a trajetória do vocalista Terry Jones.
Conclusão: O Encerramento de um Ritual?
O Pagan Altar sempre foi mais do que uma banda de metal — era um portal para um mundo místico, onde rituais antigos, lendas esquecidas e atmosferas sombrias eram transpostos para o som. A fusão de doom metal, rock progressivo e elementos do folk britânico criou uma sonoridade única e atemporal, reverenciada por fãs e músicos dentro do underground.
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