segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

ANARCHY UP YOUR ANUS / MÚSICA DA BANDA MR. BUNGLE / ÁLBUM THE RAGING WRATH OF THE EASTER BUNNY DEMO (2020)

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🎞 CINEFILIA
🎞 LISTA DE FILMES: HORROR/OCULTISMO
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"Anarchy Up Your Anus" é uma faixa de thrash metal do Mr. Bungle, lançada no álbum The Raging Wrath Of The Easter Bunny Demo em 30 de outubro de 2020 Bandcamp,. A música é conhecida por sua sonoridade agressiva, rápida, coros de backing vocal, e faz parte da regravação de demos de 1986 da banda,. 


A canção “Anarchy Up Your Anus”, da banda Mr. Bungle, não é uma música de protesto comum — ela é uma anti-canção política, um ataque filosófico ao próprio conceito de rebeldia domesticada. O choque escatológico do título é intencional: ele já anuncia que nada aqui deve ser consumido de forma literal.

Abaixo vai uma leitura filosófica, subliminar e ocultista, indo além do palavrão.

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3d/MrBungle99.JPG


1. O título como chave hermenêutica 🔑

“Anarchy Up Your Anus” não glorifica a anarquia.
Ela humilha a anarquia de slogan.

👉 A frase sugere:

  • ideias revolucionárias enfiadas à força,

  • discursos “radicais” consumidos sem digestão crítica,

  • rebeldia transformada em produto invasivo.

Filosoficamente, é um ataque direto ao que Guy Debord chamou de sociedade do espetáculo: até a revolta vira mercadoria.

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/0/08/MrBungle-California.jpg


2. Crítica filosófica: falsa consciência e pseudo-rebeldia 🧠

A letra ironiza pessoas que:

  • repetem palavras como anarchy, freedom, fuck the system,

  • mas vivem perfeitamente integradas ao sistema.

Aqui ecoam três tradições:

🔸 Marx (alienação)

A anarquia vira fetiche — um símbolo vazio, separado da prática real.

🔸 Nietzsche (niilismo passivo)

Não há criação de novos valores.
Só destruição estética, barulhenta e estéril.

🔸 Foucault (poder difuso)

O sistema não precisa reprimir — ele absorve a rebeldia e a vende de volta como estilo.


3. Linguagem grotesca como arma filosófica 💩

O uso do escatológico (ânus, sujeira, excesso) não é gratuito.

Na tradição filosófica e literária:

  • Rabelais,

  • Bakhtin (o corpo grotesco),

o grotesco serve para:

  • derrubar hierarquias,

  • ridicularizar discursos “sagrados”,

  • mostrar que todo ideal elevado passa pelo corpo.

👉 A anarquia, quando vira moda, desce do plano ético para o intestino simbólico.


4. Mensagens subliminares: caos como espelho 🪞

A música é caótica, desconexa, quase irritante de propósito.

Isso produz um efeito subliminar claro:

  • você não consegue se identificar confortavelmente,

  • não há catarse heroica,

  • só desconforto e estranhamento.

Mensagem oculta:

Se você gosta dessa música “porque é rebelde”,
talvez você seja exatamente o alvo da crítica.

É um teste iniciático invertido:
quem busca identidade pronta aqui, falha.


5. Ocultismo simbólico: anti-ritual e profanação 🜏

O Mr. Bungle pratica algo próximo da magia do caos cultural:

  • Não constrói símbolos estáveis

  • Não oferece dogmas

  • Não permite iniciação confortável

Isso se conecta ao anti-ritual:

  • em vez de elevar,

  • profana;

  • em vez de revelar verdades,

  • desmonta ilusões.

A “anarquia” da letra não liberta — ela expõe a farsa da libertação pronta.


6. Ironia final: quem é o verdadeiro alvo? 🎯

Não é o Estado.
Não é a polícia.
Não é a religião.

👉 O alvo é o consumidor de rebeldia.

Aquele que:

  • veste o caos,

  • grita slogans,

  • mas evita o vazio real de pensar por conta própria.

Nesse sentido, a música é brutalmente honesta:

não existe revolução sem desconforto real
— e quase ninguém quer pagar esse preço.


7. Conclusão filosófica

“Anarchy Up Your Anus” é:

  • um espelho sujo,

  • uma gargalhada niilista,

  • um tapa na cara da rebeldia de shopping.

Ela não propõe uma ideologia.
Ela retira o chão.

E isso é profundamente filosófico, porque obriga o ouvinte a responder:

Sou rebelde… ou só gosto da estética da rebeldia?



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