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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

HEREGE (2024)

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Em Heretic, Hugh Grant entrega uma das atuações mais perturbadoras de sua carreira, abandonando o charme leve que o consagrou para encarnar Mr. Reed, um homem enigmático que acolhe duas jovens missionárias mórmons em sua casa isolada durante uma tempestade. O que começa como um encontro cordial se transforma em um intenso jogo psicológico, no qual diálogos afiados exploram teologia, controle e ideologias, enquanto o horror se infiltra de forma sutil, quase teatral. A direção de Scott Beck e Bryan Woods aposta mais no suspense cerebral do que em sustos explícitos, criando uma atmosfera claustrofóbica onde cada palavra dita carrega um peso simbólico. Grant manipula sua persona carismática para criar desconforto, tornando sua performance inquietante e imprevisível.

A construção visual do filme é repleta de simbolismo religioso e ocultista, mesclando referências ao catolicismo, mormonismo, mitologia egípcia e hinduísmo, sugerindo que todas as crenças são estruturas humanas moldadas para controlar. A própria casa de Mr. Reed funciona como uma metáfora arquitetônica da jornada espiritual, com portas que remetem a diferentes “níveis” de julgamento moral, lembrando os círculos do inferno de Dante. Nos momentos finais, um porão profanado revela símbolos satânicos e mulheres enclausuradas, numa representação visceral do aprisionamento espiritual. O clímax, marcado pela fuga de uma das protagonistas, é coroado por uma imagem poética: uma borboleta pousando em sua mão, remetendo ao sonho filosófico de Zhuangzi sobre a transformação entre homem e borboleta, ecoando temas de liberdade e identidade.

Filmado em ordem cronológica em Vancouver, com orçamento inferior a 10 milhões de dólares, Heretic foi inspirado por obras como Inherit the Wind e Contato, combinando reflexão existencial e tensão narrativa. A produção chamou atenção por declarar nos créditos que nenhuma IA generativa foi utilizada, reforçando seu caráter artesanal. Entre as curiosidades, destaca-se a presença da canção “Knockin’ on Heaven’s Door” em uma versão intimista interpretada por Sophie Thatcher, e o humor ácido de Grant durante o AFI Fest, quando relembrou com ironia um polêmico episódio de 1995. Com sua mistura de horror psicológico, simbolismo denso e final poético, o longa se consolida como uma experiência cinematográfica inquietante, que desafia o espectador a confrontar as próprias crenças.


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domingo, 12 de janeiro de 2025

REPROGRAMAÇÃO 12 01 2025

 

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FILME VISTO

    A Substância, EUA, 2024 - "A Substância" é um filme de terror dirigido por Coralie Fargeat, lançado em 2024, que explora de forma visceral as pressões estéticas e o etarismo (discriminação ou a intolerância contra pessoas ou grupos de qualquer idade, com base na sua idade) na indústria do entretenimento. Demi Moore interpreta Elisabeth Sparkle, uma estrela fitness que, ao enfrentar o declínio de sua carreira devido à idade, recorre a uma substância experimental para rejuvenescer, resultando em consequências aterradoras.

    A performance de Moore foi bastante aclamada, marcando um retorno triunfante à crítica e rendendo-lhe o primeiro Globo de Ouro de sua carreira. Sua atuação é destemida e autêntica, refletindo as próprias experiências de Moore com as expectativas de Hollywood em relação à juventude e beleza. A direção de Fargeat combina elementos de horror corporal com sátira social, criando uma narrativa que é ao mesmo tempo perturbadora e reflexiva. O filme é elogiado por sua cinematografia e efeitos práticos, que intensificam a atmosfera inquietante e a transformação grotesca da protagonista.

    No entanto, o desfecho do filme é exagerado e não proporciona uma conclusão satisfatória para a narrativa construída. Apesar disso, "A Substância" é reconhecido como um dos filmes de terror mais impactantes de 2024, oferecendo uma crítica contundente à obsessão pela juventude e perfeição estética na sociedade contemporânea.  

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