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Burzum é um dos projetos mais icônicos e controversos da cena black metal norueguesa, criado por Varg Vikernes (1973), também conhecido como Louis Cachet. A banda é um marco na história do gênero, não apenas por sua música, mas também pela estética sombria e pela figura enigmática de seu criador. Varg Vikernes é uma figura polarizadora, cuja vida pessoal e ações fora da música frequentemente ofuscaram seu trabalho artístico. No entanto, é inegável que Burzum teve um impacto profundo no black metal e na música extrema em geral.
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Estética da Banda:
A estética de Burzum é profundamente ligada ao paganismo, mitologia nórdica, e a uma visão de mundo niilista e anti-moderna. As capas dos álbuns, muitas vezes minimalistas e evocativas, refletem essa conexão com a natureza e o oculto. A música em si é caracterizada por guitarras distorcidas, vocais rasgados, atmosferas sombrias e, em álbuns posteriores, uma transição para um estilo mais ambient e introspectivo. A estética visual e sonora de Burzum é uma jornada através de temas como isolamento, escuridão e uma nostalgia por um passado mítico.
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Curiosidades / Fatos Históricos:
Varg Vikernes foi uma figura central na cena black metal norueguesa no início dos anos 90, envolvido em eventos como os incêndios de igrejas que marcaram a época.
Em 1994, Varg foi condenado pelo assassinato de Øystein "Euronymous" Aarseth, guitarrista da banda Mayhem, e por incêndios criminosos. Ele cumpriu 15 anos de prisão, período durante o qual continuou a compor música.
Varg é conhecido por suas visões políticas controversas e por promover ideologias nacionalistas e anti-cristãs, o que gerou muita controvérsia em torno de sua pessoa e de sua música.
O nome "Burzum" vem da língua negra de J.R.R. Tolkien, significando "escuridão" no universo de "O Senhor dos Anéis".
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ÁLBUNS DE ESTÚDIO
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Burzum (1992)
O álbum de estreia de Varg Vikernes (1973) apresenta um black metal cru e atmosférico, com riffs repetitivos e uma sonoridade primitiva. Faixas como Feeble Screams from Forests Unknown e My Journey to the Stars já demonstram a tendência do Burzum em criar paisagens sonoras sombrias e hipnóticas. O álbum também inclui a primeira experiência com sintetizadores na faixa Dungeons of Darkness.
Significado: Explora misantropia, isolamento e temas mitológicos nórdicos, além de refletir a estética obscura e minimalista do black metal norueguês.
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Det som engang var (1993)
Musicalmente, o álbum mantém a brutalidade e melancolia, mas com maior complexidade estrutural. Faixas como Key to the Gate trazem passagens mais agressivas, enquanto Han som reiste (Quem viajou) mergulha no ambiente épico e sombrio.
Significado: O título significa "O que uma vez foi", refletindo uma nostalgia pelo passado pagão da Escandinávia e o desprezo pelo cristianismo.
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Hvis lyset tar oss (1994)
Considerado um dos melhores álbuns de Burzum, é uma jornada atmosférica e introspectiva. A faixa-título e Tomhet (um épico instrumental de 14 minutos) reforçam a imersão no ambiente sombrio e hipnótico da obra.
A faixa inicial "Det som engang var" / O que uma vez foi tem 14:21.
Gosto muito também da faixa "Inn i slottet fra droemmen" / Para o Castelo do Sonho.
Significado: O título significa "Se a luz nos levar", representando a decadência espiritual e a destruição da cultura nórdica tradicional pela modernidade e cristianismo.
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Filosofem (1996)
Gravado antes da prisão de Varg, esse é o álbum mais minimalista e atmosférico do Burzum, com uma abordagem drone e hipnótica. Dunkelheit (Trevas) se tornou uma das músicas mais icônicas do black metal, e faixas como Jesu Død (Jesus Morto) exploram camadas de distorção e sintetizadores.
Significado: "Filosofem" pode ser entendido como "filosofia" em dinamarquês antigo, representando uma busca por transcendência e libertação espiritual através da música.
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Dauði Baldrs (1997)
O primeiro álbum totalmente instrumental e sinfônico, composto enquanto Varg estava na prisão. As melodias, criadas com teclados simples, contam a história da morte de Baldr, uma figura mitológica nórdica.
Significado: O título significa "A Morte de Baldr", reforçando o conceito do fim de uma era e a destruição da pureza e inocência.
Obs: Baldr (nórdico antigo também Balder, Baldur) é um deus na mitologia germânica. Na mitologia nórdica, ele é filho do deus Odin e da deusa Frigg, e tem vários irmãos, como Thor e Váli. Na mitologia germânica mais ampla, o deus era conhecido em inglês antigo como Bældæġ, e em alto-alemão antigo como Balder, todos originários do teônimo protogermânico *Balðraz ('herói' ou 'príncipe').
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Hliðskjálf (1999)
Continuando a fase sinfônica, esse álbum é uma sequência de Dauði Baldrs, usando teclados e sintetizadores para criar um som etéreo e meditativo.
Significado: O nome refere-se ao trono de Odin, de onde ele observa os nove mundos, representando um olhar sobre a história e o destino da humanidade.
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Belus (2010)
Marcando o retorno ao black metal, Belus traz um som mais polido, mas ainda atmosférico e melancólico. Faixas como Glemselens Elv (O Rio do esquecimento) e Kaimadalthas’ Nedstigning (A descendência de Kaimadalthas) misturam riffs hipnóticos com melodias pagãs.
Significado: O título se refere a Belus/Baldur, um deus nórdico associado à luz e renascimento, simbolizando o despertar de um espírito pagão adormecido.
Obs: Kaimadalthas" (equivalente aos deuses Heimdallr e Hermóðr, que Vikernes acredita serem inicialmente o mesmo deus, Haimaþellar) e "Kelio" (equivalente ao submundo Hel).
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Fallen (2011)
Uma evolução de Belus, com uma produção mais refinada e vocais limpos em algumas faixas. Há um tom mais reflexivo e melancólico, como em Jeg Faller e Valen.
Significado: O título sugere a queda espiritual e o sofrimento humano, representando a luta contra a decadência e o conformismo moderno.
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Umskiptar (2012)
O álbum mais experimental e folk, com uma abordagem mais narrativa, baseada no poema nórdico Völuspá.
Significado: "Umskiptar" significa "metamorfose", abordando mudança espiritual, renovação e conexão com o passado.
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Sôl austan, Mâni vestan (2013)
Um álbum totalmente eletrônico e ambiental, sem vocais ou distorções. Inspirado em sons meditativos e transcendentes.
Significado: O título significa "Sol a Leste, Lua a Oeste", representando um equilíbrio cósmico entre forças opostas.
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The Ways of Yore (2014)
Similar ao anterior, mas mais folk e atmosférico, com passagens narradas e influências da música medieval.
Significado: "Os Caminhos de Antigamente" sugere um retorno às tradições e sabedoria ancestral.
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Thulêan Mysteries (2020)
Uma coletânea de composições instrumentais e experimentais, explorando paisagens sonoras atmosféricas.
Significado: "Mistérios de Thulê" se refere ao conceito mitológico de Thule, uma terra nórdica lendária, sugerindo um mergulho na identidade cultural escandinava.
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The Land of Thulê (2024)
Ainda pouco se sabe sobre esse álbum, mas ele segue a linha instrumental e ambiental, continuando a temática mística e mitológica de Burzum.
Significado: O título reforça a exploração de um passado mítico e idealizado das antigas tradições nórdicas.
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Conclusão
Burzum evoluiu de um black metal primitivo para uma abordagem mais atmosférica e meditativa, explorando temas de mitologia nórdica, espiritualidade e isolamento. Mesmo controverso, Varg Vikernes criou um legado que influenciou diversas vertentes do metal e da música ambiente.
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Comentários sobre Varg Vikernes:
Varg Vikernes é uma figura complexa e controversa. Sua música com Burzum é inovadora e influente, mas sua vida pessoal e ideologias são frequentemente criticadas. Independentemente das opiniões sobre ele, é inegável que Burzum deixou um legado duradouro no black metal e na música extrema. Sua capacidade de criar atmosferas únicas e emocionalmente carregadas é o que torna seu trabalho tão memorável e impactante.
Em resumo, Burzum é uma jornada através da escuridão, tanto musical quanto filosoficamente. Cada álbum reflete uma faceta diferente da mente de Varg Vikernes, desde o caos primitivo dos primeiros trabalhos até a introspecção meditativa dos álbuns ambient. É uma experiência que desafia e fascina, deixando uma marca indelével na história da música.
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